Como o Slow Living mudou a minha vida

A pergunta pertinente é:

Como viver lentamente neste mundo tão alucinante?

A minha descoberta do slow living começou quando eu tive um esgotamento. Eu estava a trabalhar demais, 12h por dia, o tempo que eu tinha livre era somente para descansar e para me preparar para o trabalho. Precisava de tempo para mim, para descansar, para desacelerar e não conseguia.

A pandemia do coronavirus veio pôr ainda mais pressão na minha situação de stress pois sendo eu uma trabalhadora indispensável, o trabalho aumentou e deixei de ter a liberdade que tinha para passear e desconectar-me com o mundo. Durante meses a minha vida resumiu-se a casa-trabalho, trabalho-casa, assim como muitas outras pessoas.

A pressão era mais a cada dia e aos primeiros sinais do meu corpo para abrandar o ritmo, eu ignorava e chegava a ver isso como um sinal de fraqueza então fazia ainda pior, puxava ainda mais. Um dia o meu corpo fez-me parar, não pude mais continuar e nada mais me restava do que parar e respirar fundo. Apercebi-me que todos estes sinais físicos eram um grito de ajuda, um grito para começar a viver mais lentamente.

Um dia o meu corpo fez-me parar, não pude mais continuar e nada mais me restava do que parar e respirar fundo.

Foi então que comecei a mudar pequenas coisas no meu dia-a-dia. Comecei a fazer crochet e até comprei uma máquina de costura para começar a arranjar a minha roupa. Comecei a comprar cada vez menos comida pronta e comecei a cozinhar mais. Interessei-me tanto pelos alimentos mais em estado natural que até comecei a minha pequena horta em casa. Hoje dou-me ao luxo de perceber os ciclos da natureza, quando plantar, quanto tempo os legumes demoram a crescer, a colheita e o sabor diferente.

Comecei a ouvir outro género de música e a ver outro tipo de vídeos no youtube. Quando caí de pára-quedas num vídeo a falar de slow living, apercebi-me de que já estava a levar esse estilo de vida, mesmo não percebendo. Afinal de contas desde sempre que ouço dizer que a felicidade está nas pequenas coisas, não é? O Slow Living é apenas uma etiqueta para algo que se pratica à muito tempo. Eu concordo com isso, acho que a felicidade está mesmo nas pequenas coisas e se nós não pararmos para tomarmos atenção às pequenas coisas, nunca vamos reparar que elas lá estão, pois estamos demasiado ocupados com as nossas tarefas diárias.

Não acho que pôr-me a mim em primeiro lugar seja um acto egoísta, mas sim um acto de auto-preservação.

Eu percebo que não é fácil parar de um momento para o outro, acredita, eu acabei de passar por isso. É uma questão de hábito, uma mudança na nossa rotina e também nas nossas prioridades. Eu sempre disse que se eu não estiver bem, não consigo ajudar ninguém, então não acho que pôr-me a mim em primeiro lugar seja um acto egoísta, mas sim um acto de auto-preservação. Um exemplo disto é quando estamos num avião e as instruções de segurança são para colocarmos a máscara de oxigenio a nós primeiro e só depois ajudamos os outros. Pode parecer um pouco antiético mas se pensarmos bem, faz todo o sentido.

Como comecei o slow living? A única coisa que fiz foi dar ouvidos ao meu corpo e fazer aquilo que me sabia bem e que me parecia certo para a fase que estava a atravessar.
O slow living é isso mesmo, é parar para respirar, é dar tempo ao tempo e sem dúvida alguma, é aliviar o corpo e curar a alma.

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